
A Happy Madison, produtora de Adam Sandler, tenta seguir um caminho diferente em Não Deseje Boa Sorte. Em vez da comédia exagerada que marcou o estúdio por décadas, o novo filme, disponível na Netflix, aposta em um drama sobre amadurecimento, perdas e relações familiares. A mudança funciona em parte, principalmente graças ao elenco, mas o resultado está longe de ser tão marcante quanto pretende.
A história acompanha Sophie, uma estudante do ensino médio que finalmente conquista o papel principal no musical da escola. No mesmo momento em que seu maior sonho parece se realizar, ela descobre que o câncer da mãe voltou.
Entre ensaios, amizades, romances e responsabilidades, a jovem precisa lidar com uma realidade muito mais difícil do que imaginava.

Atuações sustentam uma história conhecida
Sunny Sandler mostra uma evolução clara como atriz ao carregar praticamente toda a narrativa.
Sua interpretação transmite insegurança, entusiasmo e tristeza sem exageros, tornando Sophie uma protagonista fácil de acompanhar. Ao seu lado, Melanie Lynskey entrega o melhor trabalho do filme como Elizabeth. A relação entre mãe e filha é convincente do início ao fim e concentra os momentos mais emocionantes da produção.
O filme também acerta ao retratar os bastidores de uma montagem escolar.
Os ensaios, as tradições entre os alunos e a convivência nos corredores do teatro passam uma sensação de autenticidade que poucas produções do gênero conseguem alcançar. Esse ambiente ajuda a dar personalidade à história e cria um contraste interessante com o drama vivido pela protagonista.
Por outro lado, o roteiro se apoia em conflitos que o público já viu inúmeras vezes. O romance adolescente, os desentendimentos familiares e os obstáculos da escola seguem um caminho previsível e raramente surpreendem. Em nenhum momento o filme encontra uma maneira realmente nova de desenvolver esses elementos.
Outro problema é o ritmo irregular.
Embora tenha cerca de 100 minutos, Não Deseje Boa Sorte parece mais longo do que realmente é. Ao mesmo tempo, acontecimentos importantes são resolvidos rapidamente, alguns até fora de cena, o que reduz o impacto emocional de momentos que deveriam ser decisivos.
Nem mesmo o elenco de apoio é aproveitado como poderia. Nomes experientes aparecem ao longo da história, mas recebem pouco espaço e acabam sem oportunidade para deixar uma marca maior, seja no humor ou no drama.
Apesar das limitações, Não Deseje Boa Sorte nunca deixa de ser um filme sincero.
Quando concentra suas atenções na relação entre Sophie e Elizabeth, encontra momentos de sensibilidade que justificam a sessão. O problema é que essas cenas dividem espaço com um roteiro convencional e um desenvolvimento apressado, impedindo que a produção alcance todo o potencial de sua proposta.
Nota: ★★★☆☆ (3/5)
O post Não Deseje Boa Sorte – Crítica: Filme da Netflix aposta nas atuações para compensar roteiro previsível apareceu primeiro em Observatório do Cinema.
