
A Marvel vai apostar alto em 2026. Alto tipo “tudo ou nada”. Vingadores: Doutor Destino chega como o primeiro filme dos Vingadores desde Ultimato, reunindo heróis do MCU, personagens dos X-Men e ainda trazendo Robert Downey Jr. de volta, agora como vilão. Parece impossível dar errado, né? Pois é aí que mora o perigo.
Porque enquanto o hype bate no teto, o contexto atual da Marvel acende alertas que não dá mais para ignorar. Multiverso confuso, excesso de personagens, nostalgia sendo usada como muleta e, do outro lado, concorrentes com propostas menores, mais criativas e menos pressionadas.

Um evento grande demais para caber em um único filme?
Vingadores: Doutor Destino nasce com cara de “evento histórico”. Elenco gigantesco, retorno dos irmãos Russo e a missão quase impossível de substituir Thanos por um vilão ainda mais icônico. Só que tamanho, no cinema, nem sempre é sinônimo de controle.
Desde Ultimato, o MCU se perdeu ao tentar expandir tudo ao mesmo tempo. Multiverso aqui, linha do tempo ali, variantes surgindo e sumindo sem regras claras. Agora, o filme precisa não só contar uma história, mas consertar anos de bagunça narrativa.
Guerra Infinita funcionou porque cada personagem tinha um papel claro. Já Doutor Destino promete ir além disso, com ainda mais heróis, versões alternativas e franquias colidindo. Sem cinco horas de duração, como equilibrar tudo sem sacrificar emoção? E se virar só espetáculo vazio?

Nostalgia ou falta de coragem
Trazer Robert Downey Jr. de volta soa como sonho de fã. Mas também levanta uma pergunta incômoda: a Marvel está olhando para o futuro ou presa ao próprio passado? Ultimato foi pensado como encerramento. Um adeus digno. Mexer nisso tem custo.
Chris Evans novamente envolvido, Tony Stark “retornando” de alguma forma, tudo isso pode soar como fanservice desesperado, não como evolução narrativa. Vale lembrar: nostalgia funciona melhor quando é tempero, não prato principal. E o público já começou a perceber quando a emoção é reciclada.
Enquanto isso, personagens apresentados após Ultimato ainda lutam por relevância dentro do MCU. Sam Wilson como o novo Capitão América, Shang-Chi, Kate Bishop, Yelena Belova e até os Eternos seguem sem um arco claro que os una ou os coloque no centro da saga.

Enquanto isso, os “azarões” chegam sem medo de arriscar
Curiosamente, os outros filmes de super-heróis de 2026 parecem jogar com menos pressão e mais personalidade. Supergirl surge como uma aventura espacial vibrante, com energia de Guardiões da Galáxia e uma protagonista que pode surpreender quem só conhece o Superman.
Já Homem-Aranha: Um Novo Dia aposta no caminho oposto do multiverso: história mais íntima, consequências emocionais de Sem Volta Para Casa e um possível arco de despedida para Tom Holland. Às vezes, menos escala significa mais impacto. E a Marvel sempre soube fazer isso bem.
E então temos Cara-de-Barro. Um filme de terror psicológico, sobre um vilão B da DC, escrito por Mike Flanagan. Loucura? Total. Mas é o tipo de risco que redefine gêneros. Se der errado, ok. Mas se der certo, vira assunto por anos. Algo que a Marvel anda evitando.

O maior risco: prometer tudo e entregar pouco
O mundo quer que Vingadores: Doutor Destino seja incrível. A Marvel precisa disso. O cinema de super-heróis precisa disso. Mas justamente por carregar essa responsabilidade gigantesca, o filme entra em cena com um peso que nenhum dos concorrentes tem.
Se for espetacular, vira redenção. Se for apenas “bom”, será tratado como decepção. E se tropeçar em roteiro, ritmo ou clareza, o tombo será muito mais alto do que qualquer outro filme de 2026.
No fim, existe um cenário real em que Doutor Destino não é um desastre, mas ainda assim termina o ano como o menos interessante entre os grandes lançamentos. E aí vem a ironia: o maior crossover da década pode ser superado justamente pelos filmes que ousaram ser menores, estranhos e humanos.
Vingadores: Doutor Destino estreia dia 17 de dezembro nos cinemas.
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