
A nova adaptação jovem-adulta da Netflix, Patinando no Amor (Finding Her Edge), entrega uma proposta curiosa: mistura romance esportivo com drama familiar em um ambiente de alta competitividade. O resultado, no entanto, é irregular. Enquanto o núcleo romântico deixa a desejar, o retrato da família protagonista oferece momentos genuinamente interessantes.
Baseada no livro de Jennifer Iacopelli, a série acompanha Adriana Russo (Madelyn Keys), uma patinadora artística determinada a formar uma nova dupla com Brayden Elliot (Cale Ambrozic), o “bad boy” das pistas. A situação se complica com o retorno de Freddie (Olly Atkins), seu antigo parceiro e primeiro amor, agora acompanhado de Riley (Millie Davis), uma das melhores amigas de Adriana.
Paralelamente, a família Russo enfrenta uma sucessão de crises: o pai afundado em dívidas, a irmã mais velha à beira da depressão após um acidente no gelo e todos ainda lidando com a morte recente da matriarca da família.

Um triângulo amoroso sem peso dramático
Apesar do cenário propício, o triângulo amoroso, que deveria ser o motor da narrativa, se revela o ponto mais fraco da série.
Freddie é pouco desenvolvido e passa boa parte da temporada distante emocionalmente de Adriana, o que enfraquece qualquer investimento do público na disputa romântica. Sua relação com a protagonista carece de contexto e profundidade, tornando difícil acreditar que ele represente uma escolha realista frente à química evidente entre Adriana e Brayden.
Brayden, por outro lado, recebe arco dramático, evolução pessoal e momentos consistentes de construção emocional. A diferença de tratamento entre os dois personagens torna o conflito amoroso previsível e, no fim, pouco recompensador.
Curiosamente, a série funciona melhor quando afasta o foco do romance.

O verdadeiro destaque está na família Russo
A maior surpresa positiva é Elise (Alexandra Beaton), a irmã mais velha, que lida com o trauma físico e psicológico de uma queda grave durante uma apresentação. Sua insegurança, combinada à sensação de estar sendo substituída por Adriana dentro da própria família, constrói o arco mais complexo e humano da temporada.
A caçula Maria (Alice Malakhov) também se destaca, trazendo leveza e autenticidade ao questionar o peso do legado olímpico dos pais e o favoritismo dentro do esporte. Suas cenas no gelo estão entre as mais dinâmicas e carismáticas da série.
Os melhores momentos de Patinando no Amor surgem justamente quando a narrativa explora o luto tardio, as rivalidades entre irmãs e o impacto psicológico de crescer sob expectativas irreais. Se a produção fosse centrada apenas nessa dinâmica familiar, teria encontrado um caminho mais sólido.
Tecnicamente, a série não foge aos clichês do gênero: diálogos exagerados, reviravoltas previsíveis e atuações irregulares fazem parte do pacote. Ainda assim, há um esforço perceptível em oferecer algo mais pé no chão do que outros dramas teen recentes.
No saldo final, Patinando no Amor se sustenta mais como drama familiar esportivo do que como romance. O triângulo amoroso falha, mas o retrato das irmãs Russo e da pressão emocional da patinação competitiva garante interesse suficiente para acompanhar a temporada até o fim – ainda que com expectativas moderadas.
Os oito episódios de Patinando no Amor estão disponíveis na Netflix.
Nota: 6/10
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